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Aconteceu no século dezessete, no vale paulista do Paraíba do Sul. Levantando "a sua custa a igreja matriz, construída de taipa de pilão, cadeia e casa de sobrado para o conselho, moinhos de trigo e engenhos de açúcar", Jacques Felix deu início à Vila de Taubaté, primogênita da civilização que iria se desenvolver entre a Mantiqueira e os contrafortes da serra do Mar.

O mesmo século veria nascerem as vilas de Guaratinguetá e de Jacareí, os povoados de Pindamonhangaba e de Tremembé e os aldeamentos indígenas de Nossa Senhora da Escada e de Nossa Senhora do Desterro, hoje São José dos Campos.

Bandeirantes, índios, ouro, tropas de muares, comercia de beira de estrada, coragem, heroísmo, lendas e estórias dinamizaram os primeiros tempos desses núcleos que marcaram e povoaram os caminhos do Vale do Paraíba e as terras das Minas Gerais.

O século dezoito assistiu ao desenvolvimento dos núcleos primitivos e viu nascerem três novas vilas e mais sete novos povoados. A região, que tinha sua economia voltada ao abastecimento das minas ao norte da Mantiqueira, sentiu, ao final desse século, a decadência desse comércio, em face da queda da extração do ouro e das pedras preciosas, pelo esgotamento das minas. Algumas de suas vilas passaram, então, a se dedicar à cultura da cana-de-açúcar, enquanto em outras vilas surgia o problema do "nenhum modo de ganhar a vida".

Por essa época, surgiram no Vale do Paraíba os primeiros pés de café, inicialmente como arbustos medicinais ou meramente decorativos, passando, logo em seguida, a fonte de maior riqueza e esplendor da região, sendo considerado "o maior fenômeno agrícola do século", ou mesmo, "a raiz, tronco e galhos da economia nacional, seu núcleo político, econômico e social".

Subindo e descendo a encosta dos morros, abrindo cidades, gerando riquezas, o café criou uma "aristocracia rural, a dos Barões do Café do Vale do Paraíba, e importou uma corrente sem precedentes de escravos africanos que modificaram a estrutura étnica assim como a sua estratificação social". Tal mudança acarretou sensíveis alterações na maneira do homem da região pensar, agir, trajar estudar, comer, habitar, enfim, viver. Com o dinheiro trazido pelo café, muita coisa mudou. Das fazendas, foram transferidas para as cidades as casas de morada, cuja decoração era toda importada. Modificaram-se os costumes, afrancesando-se a educação, notadamente a feminina até então restrita "às prendas da economia doméstica".

O café construiu santas casas, ergueu teatros, aformoseou igrejas e requintou festas que, por muito tempo, concentraram toda a vida social da região. A riqueza propiciada pelo café trouxe novas formas de lazer. Teatros, bailes, visitas dos Imperadores e Príncipes, saraus, "soirés", circos, bandas de música, entrudo, cavalhadas e conferências literárias passaram a "distrair e descontrair" a vida dessa sociedade.

A chegada do trem de ferro, facilitando o intercâmbio com a Corte do Rio de Janeiro, foi motivo para a outorga de novos títulos de nobreza aos fazendeiros do Vale do Paraíba, que haviam contribuído mais generosamente para que a estrada se tornasse uma realidade. Motivo de euforia para o Vale em geral, o caminho de ferro veio ocasionar, porém a decadência dos portos do Litoral exportadores do café que, em lombo de burro, vencia os caminhos íngremes da serra do Mar.

 

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