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AGROTURISMO

Fonte: Equipe de Jornalismo Girus.com.br

    Portuguez (1999) definiu:
"Pode ser entendido como a modalidade de turismo em espaço rural praticada dentro das propriedades, de modo que o turista e/ou excursionista entra, mesmo que por curto período de tempo, em contato com a atmosfera da vida na fazenda, integrando-se de alguma forma aos hábitos locais."

Segundo Desplanques (1973):
"Nasceu ainda na Itália, em meados da década de 60 e era vista como uma alternativa de revitalização da economia rural, que na época sofria uma crise financeira e provocava o desestímulo de agricultores. Era também uma maneira de reverter o quadro de migração da população rural para s áreas urbanas, que somente entre as décadas de 50 e 70 somava mais de 5 milhões de italianos."

Viu-se então uma oportunidade de estimular a geração de receitas no meio rural e ainda promover o contato dos turistas com o dia-a-dia nas propriedades agrícolas, inclusive através de auxílio dos turistas nas diversas atividades cotidianas.

De acordo com a lei italiana, L. 5 dicembre 1985, n. 730. Disciplina do Agroturismo, (G.U.R.I. 16-12-1985, n. 295), consideram-se agriturísticas:

"Exclusivamente as atividades de recepção e hospedagem, exercidas por empreendedores agrícolas, individuais ou associados, e também suas famílias, através da utilização de sua própria fazenda, em relação de conexão e complementariedade à atividade de cultivo da propriedade, silvicoltura, criaçào de animais, que devem permanecer a atividade principal."

São consideradas atividades agroturísticas:
a) Dar hospedagem, mesmo em espaços abertos destinados a campings;
b) Servir alimentação e bebida em ambiente adequado, dentro da propriedade, prevalentemente produzidos com produtos próprios, inclusive as bebidas alcoólicas;
c) Organizar atividades recreativas ou culturais nos ambientes pertencentes à propriedade.

De acordo com a Organização Nacional do Turismo Italiano - ENIT, as atividade agriturística italiana é representada por 10 mil fazendas agriturísticas, das quais 8,5 mil oferecem hospedagem, 5,6 mil oferecem serviços de A&B, 900 oferecem campings e 1,6 mil possuem cavalos. No total as fazendas oferecem 125 mil leitos.

Anualmente estas fazendas recebem 2,45 milhões de turistas, dos quais 25% são estrangeiros. Isto representa 15 milhões de diárias, com duração média de seis dias.

A atividade agroturística gera anualmente 568 milhões de euros (segundo dados da ENIT do ano de 2001).

As fazendas agriturísticas se encontram distribuídas por toda a Itália, com 30% delas localizadas na região de Alto-Adige, 16% em Toscana, 7% em Veneto, 5% na Lombardia, 4% em Piemonte, Marche, Umbria e Sardenha e ainda de 1 a 3% nas outras regiões.

Segundo Setúbal (1997), o agroturismo iniciou a ser explorado no Brasil, no final da década de 80, no Espírito Santo, com o produtor Leandro Carnielli. Com o resultado de suas atividades, várias outras propriedades agrícolas da região passaram a dedicar-se também a esta atividade e mais tarde, o governo do Espírito Santo criou o "Programa do Agriturismo", inicialmente implementado nos municípios de Afonso Cláudio, Castelo, Conceição do Castelo, Domingos Martins, Marechal Floriano, Vargem Alta, Viana e Venda Nova do Imigrante.

"A idéia é gerar possibilidades para que as famílias de proprietários e trabalhadores, das unidades rurais aprendam a utilizar a produção das fazendas, as paisagens serranas, a cultura local, a hospitalidade do povo interiorano e a diversificada culinária regional, como atrativos turísticos dos núcleos de agricultores. Atualmente acredita-se que o aproximadamente duas centenas de propriedades já estejam envolvidas com a prática do agroturismo, pois o último levantamento, de 1995, não foi atualizado pelos gestores de Programa." (Portuguez, 1999 p.89)

De acordo com pesquisa realizada por Portuguez (1999), o agroturismo demonstra-se como uma das atividades com maior poder de geração de renda na região onde está sendo explorado, no Espírito Santo, com média de crescimento de renda de 30%. Apesar disso a atividade não foi capaz, ainda, de aumentar a oferta de emprego para terceiros, visto que em sua amioria, as propriedades agroturísticas são tocadas por famílias de agricultores.


Para saber mais, leia:
Portuguez, Anderson Pereira. Agroturismo e Desenvolvimento Regional. São Paulo: Hucitec, 1999.
Desplanques, Henri. Une Nouvelle Utilisation de Léspace Rural en Italia: l'Agritourisme. Annales de Géographie, 82 (450): 151-64, mars-avril, 1973.

Setúbal, Ana C. B. Agroturismo: Uma Forma de Turismo Rural. Anais do 1º Encontro Nacional de Turismo com Base Local. São Paulo: DG-FFLCH/USP, 1o -3 de maio, 1997, p.166-8.

 

 

 

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